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Chamo-me
Miriam Machado tenho 24 anos de idade, sou natural da província do Huambo em
Angola, antiga nova Lisboa. Vivo em Lisboa desde 1992 altura em que se deu a
“guerra de Luanda”, cidade onde residia,
até a minha vinda para Portugal para continuar os meus estudos. Frequento
o 3º ano do Curso de Relações Internacionais na Universidade Independente de
Lisboa. Como tempos livres gosto de ler, fazer teatro, ouvir música e
principalmente de dançar que é a coisa que mais gosto de fazer e que para mim
é considerada a mais perfeita forma de expressão corporal. Penso que a dança
é o complemento fundamental da música e vice – versa. Comecei
a dançar desde os meus oito anos de idade em actividades escolares e de rua,
participando em concursos de bairro passando pelo “carrocel”- programa
infantil da TPA(Televisão Publica de Angola) do qual gostaria de ter continuado
mas que infelizmente não foi possível, como
já referi, foi a altura em
que tive de deixar Angola. Depois de um interregno nos primeiros anos de fixação
em terras lusas, recomecei a arte que mais sei fazer, começando por formar um
grupo de dança chamado Welwitchas que é o nome de uma planta só existente em
Angola no deserto do Namíbe na província do Namíbe. A formação deste grupo,
foi o pontapé de saída para a minha afirmação no meio artístico. O grupo
Welwitchas era formado por cinco pessoas dos quais dois eram rapazes e três
eram raparigas. Nos nossos espectáculos eram exibidos quase todos tipos de dança
desde o Ragga – estilo de dança jamaicano de origem africana, o Pop que é
uma dança moderna dançada em quase todo o mundo, Sokousse que é um estilo de
dança característico da República do Democrática do Congo, Samba do Brasil
cujo as suas raízes estão no continente africano em resultado do tráfico de
escravos, escravos esses oriundos do antigo Reinos existentes em Africa, o
tradicional Semba de Angola que era o estilo de dança por nós mais exibido.
Foi a partir da formação do grupo de dança que começamos por participar em
eventos escolares, espectáculos em discotecas, concursos de dança, programas
de televisão como a praça da alegria o programa do Júlio Isidro o Big Show
Sic entre outros apesar de não ter tido apoios o nosso grupo foi sobrevivendo a
nossa custa com a colaboração de todos. Foi
no decorrer destes nossos espectáculos que tornei-me numa bailarina
independente prestando a minha colaboração a vários músicos e grupos de danças
tradicionais angolanos como Bonga, Paulo Flores, Ballet Kilandukilo
Jovens do Hungo. Depois
destes conjunto de experiências posso dizer que a cultura é um dos factores
mais ricos na vida de um povo, sendo à dança uma das expressões deste traço
identitário que é a cultura. Apesar de não ter frequentado uma escola de dança,
confesso que fui aprendendo com pessoas que têm mais experiências. Nesse
sentido, no caso do ballet kilandukilo onde me inseri, absorvi muitos
conhecimentos em relação aos vários tipos de dança existentes em Africa( e não
só) como a kazukuta dança tradicional da ilha de Luanda que normalmente é
exibida ou dançada pelos mais velhos em ocasiões especiais como cerimónias, o
Kilaphanga que é um estilo de dança típico do Norte de Angola, a Massemba que
também é um estilo dançado individual e bastante ritmado.
Para
além da dança africana aprendi danças orientais como a dança do ventre e
algumas danças europeias. Apesar de me enquadrar bem em todos os tipos de dança
reconheço que gosto mais dos ritmos que mais se identificam comigo que são os
ritmos africanos. |